jusbrasil.com.br
5 de Março de 2021

Algoritmos, jurimetria, lawtechs e o direito

Gustavo Rocha, Consultor Jurídico
Publicado por Gustavo Rocha
há 2 anos

Há debates que mudam as variáveis e continuam tendo o mesmo objetivo e quiçá o mesmo resultado. Entre estes, a questão da tecnologia aplicada ao direito com seus algoritmos, jurimetria, startups jurídicas com serviços inovadores (lawtechs) e a possibilidade de esta tecnologia toda acabar com o trabalho do advogado.

Vamos esclarecer que o assunto não é novo, em 2009, há 10 anos atrás, Richard Susskind escreveu o livro The End of the Lawyers e já trazia no seu âmago este mesmo debate, onde tanto naquela época como agora, penso que o resultado é o mesmo: Quanto mais vejo a tecnologia, mais percebo que o trabalho do advogado mudou, mudará, mas permanecerá necessário, útil e indispensável na administração da justiça, como bem preceitua o artigo 133 da Carta Magna.

Um algoritmo não consegue pensar uma estratégia jurídica.

A jurimetria pode até ajudar na estatística das demandas e trabalhar com um predizer de possibilidade de julgados neste ou naquele sentido, entretanto, somente o advogado consegue com seu pensar, seu conhecimento e vagar sobre o tema, alçar caminhos diferentes.

Uma lawtech pode criar robôs que leiam peças, interpretem, façam peticionamentos automaticamente, daquilo que for repetitivo, que não exija um pensar maior.

A própria inteligência artificial pode construir ideias em cima de outras ideias, mas não cria nada do zero.

O direito e principalmente advogar é muito mais do que apenas peticionar: É pensar a melhor forma de resolver o problema do cliente, que inclusive – e cada vez mais – deve ter olhar para fora do judiciário.

O direito não é um produto de tecnologia que pode ser descartado por estar obsoleto, ultrapassado. As origens remontam há mais de 2 mil anos de conceitos, atualizações e melhorias – que ainda precisam de muito pensar e mudanças também para sua própria evolução – para que possamos evoluir em conjunto com a sociedade.

Não é admissível querer de deixar de usar a tecnologia porque advogados perderão seus empregos, pois somente deixarão seus postos, aqueles que carinhosamente chamo de Advogados Google, advogados que somente fazem o ctrl + C, combinado com ctrl +V e quando avançados, usam também o ctrl + X! Os advogados que pensam e estão querendo a tecnologia como aliada do seu ofício, terão um caminho novo, inexplorado, mas nem por isso desinteressante para exercer a sua profissão.

A advocacia mudou! E precisamos colher os frutos da mudança, ao invés de reclamar dos novos ventos.

#FraternoAbraço

Gustavo Rocha

Consultoria GustavoRocha.com | Gestão, Tecnologia e Marketing Estratégicos

Robôs | Inteligência Artificial | Jurimetria

2 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Dr. Gustavo Rocha, caro colega,
Concordo com o quanto expendido pelo nobre Colega.
A ver verdade, decorridos 45 de militância após minha formatura pela sempiterna Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, "permissa venia", entendo que a OAB deveria pugnar perante o Judiciário e Entidades de Classe da Magistratura, pela real leitura dos processos em curso, posto que, infelizmente, os doutos Magistrados andam descuidando, e muito, da leitura do que dos autos "sub judice" consta, ato/fato que não ocorria há décadas atrás, por ser medida de Direito é Justiça; permitndo-nos repetir Calamandrei: “Não é honesto, quando se fala dos problemas da justiça, refugiar-se atrás da cômoda frase feita, segundo a qual a magistratura é superior a todas as críticas e a qualquer suspeita, como se os magistrados fossem criaturas super-humanas, não passíveis de erros e não atingidas pelas misérias desta terra e, por isso, são intocáveis.”
Fernando continuar lendo

Infelizmente Fernando, temos visto mais petições robôs e juízes robôs do que qualquer outra coisa. Precisamos sim da advocacia humana! continuar lendo